Unesp completa 50 anos: história, desafios e inovações na educação paulista

Na quinta-feira, 29 de janeiro de 2026, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) completou 50 anos de existência, marcando um marco importante na história educacional do estado de São Paulo. O evento, celebrado com uma sessão solene na Praça da República, no centro histórico da capital paulista, contou com a participação de representantes de diversas áreas da sociedade. O cerimonial foi organizado para destacar a trajetória da instituição desde sua criação em 1976 e suas contribuições para o desenvolvimento regional. A Unesp, fundada com a Lei Estadual nº 952, teve como objetivo reunir institutos de ensino superior isolados em todo o interior paulista sob uma única estrutura administrativa, buscando ampliar o acesso à educação superior.

A primeira edição da Unesp surgiu em um contexto marcado pela transição da ditadura militar para a democracia. Muitos membros da comunidade acadêmica e estudantes inicialmente expressaram desconfiança em relação à nova estrutura, já que a mudança significava uma radical reorganização dos recursos e processos educacionais. Apesar dos inícios desconfiados, a instituição foi construída com uma base sólida, integrando 15 unidades em 14 cidades paulistas, que hoje já representam 34 unidades e 24 câmpus em todo o estado. Essa expansão foi possível graças a uma estratégia de descentralização que permitiu a formação de profissionais em diversos campos, como medicina, engenharia e humanidades.

Segundo dados da Unesp, atualmente 6,2% dos docentes se declaram pretos, pardos ou indígenas, o que evidencia a necessidade de políticas de inclusão e diversidade. A reitora, Maysa Furlan, destacou a importância das cotas para garantir a representatividade das minorias na formação de professores. A Unesp já está planejando criar cotas para contratação de professores este ano, seguindo a mesma estratégia adotada pela Universidade de São Paulo (USP), que já tem uma reserva de vagas para grupos minoritários. Essa medida reflete uma resposta aos desafios de equidade na educação, mas também gera debates sobre a eficácia das políticas de inclusão.

Um dos maiores desafios da Unesp é a manutenção da autonomia universitária. Desde 1989, a instituição tem defendido a autonomia na gestão acadêmica, mas enfrenta pressões externas que podem comprometer essa característica. A reitora Maysa Furlan destacou que a preservação da autonomia é vital para a capacitação de profissionais que possam contribuir para a emancipação social. No entanto, a realidade da educação paulista ainda enfrenta desafios relacionados à desigualdade, como a falta de acesso a recursos adequados em áreas remotas e a necessidade de inovação contínua para atender às demandas do mercado.

Para celebrar os 50 anos, a Unesp lançou um vídeo institucional e um site alusivo ao cinquentenário, com a participação de professores, estudantes e autoridades públicas. A cerimônia ocorrerá na Praça da República, no centro histórico de São Paulo, e contará com a presença de representantes de outras instituições de ensino. Além disso, a Orquestra Acadêmica da Unesp participará da celebração, reafirmando a importância da cultura e da educação como instrumentos para transformação social.

Para o professor José Paes de Almeida Nogueira Pinto, coordenador da CoAC, a criação da Unesp foi recebida inicialmente com desconfiança, mas, ao longo dos anos, conquistou a confiança de estudantes, professores e servidores. Ele destacou que os primeiros a acreditar no projeto da Unesp foram os estudantes, que, mesmo em meio a uma ditadura militar, conseguiram identificar a importância de uma universidade que unisse institutos locais de ensino superior. Essa trajetória histórica, ele afirma, é um exemplo de como a educação pode ser uma ferramenta de resistência e transformação social.

Tags: Deportes Salud Cultura Educação
Compartilhar artigo
Facebook Twitter WhatsApp